sábado, 15 de novembro de 2008

Documentário Correntes

Boa tarde a todos,
a alguns dias atrás, passeando pelo YouTube, deparei-me com o trailer de um documentário chamado "Correntes", que retrata o trabalho de diversos atores, entre eles os Auditores Fiscais do Trabalho, no combate ao trabalho escravo, prática tão abominável mas que até hoje é muito presente em nosso país. Andei procurando o filme para comprar, mas até agora não o encontrei aqui em Belo Horizonte, mas assim que conseguir adquiri-lo e assistir prometo escrever as minhas impressões sobre o documentário.
Abaixo segue o trailer e a sinopse do documentário.

Ficha Técnica
Duração: 58 minutos
Direção: Caio Cavechini e Ivan Paganotti
Roteiro: Caio Cavechini, Evelyn Kuriki e Ivan Paganotti
Trilha sonora: Mundo Livre SA
Realização: ONG Repórter Brasil (www.reporterbrasil.org.br)

Apoio: Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho. Parcerias: Delegacia Regional do Trabalho - MT, Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo de Mato Grosso, Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia, Comissão Pastoral da Terra, SESC São Paulo, Revista Problemas Brasileiros e Agência Carta Maior.

Sinopse do documentário "Correntes"
As antigas correntes de ferro não mais aprisionam os braços e pernas dos escravos. Elas foram substituídas pelas correntes simbólicas da dívida e da violência, que agora aprisionam os trabalhadores e impedem que fujam das fazendas. Existe também uma corrente de eventos ligando os fatores que levam à escravidão: a pobreza, a migração, o aliciamento e as condições indignas de trabalho. Mas há ainda uma contra-corrente, que combate essa prática criminosa. Ela representa a articulação dos novos abolicionistas lutando contra o trabalho escravo.

O documentário "Correntes" foca as experiências dos que combatem a escravidão nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Ele apresenta as experiências e o cotidiano dos representantes da sociedade civil, de instituições e de entidades governamentais - desde auditores fiscais do Ministério do Trabalho até ativistas dos direitos humanos - enquanto tenta refletir sobre as vitórias e desafios do combate à escravidão.

Os novos abolicionistas são os personagens que apresentam e explicam as situações de exploração da mão-de-obra e de trabalho escravo que ocorrem no Brasil - e mostram como combatê-las. Cada capítulo do documentário trata de uma etapa da cadeia de eventos que leva à escravidão pela visão de um desses personagens. São eles que dialogam com os trabalhadores libertos, que articulam as estratégias de combate à escravidão, que sofrem os riscos e as ameaças e comemoram as pequenas vitórias cotidianas.

Virna e Calixto, auditores fiscais do Ministério do Trabalho, inspecionam fazendas escravocratas no Pará e Maranhão, onde negociam o pagamento de direitos trabalhistas negligenciados pelo fazendeiro e entrevistam trabalhadores submetidos a condições desumanas de moradia, alimentação e trabalho - proibidos de sair sob ameaças até que saldem suas dívidas ilegalmente contraídas.

Carmen e Ivanete, ativistas de um centro de defesa dos direitos humanos no Maranhão, abrigam trabalhadores que conseguiram fugir de fazendas e denunciam a escravidão nas fazendas da região.

Frei Xavier, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Tocantins, tenta alertar donos de "pensões peoneiras" - onde os trabalhadores que aguardam oportunidades de emprego são ilegalmente aliciados - sobre os perigos da armadilha da dívida.

O fiscal Valdinei debate com trabalhadores que migraram para o Mato Grosso, alertando para a cilada dos gatos (empreiteiros contratados pelos fazendeiros para aliciar mão-de-obra escrava) enquanto se comove com as trajetórias de vida desses retirantes.

Domigas, uma líder comunitária que lida com a pobreza cotidiana em uma das regiões de origem dos trabalhadores escravizados, reúne-se com outras mulheres que aguardam o incerto retorno do marido das fazendas na fronteira agrícola, na tentativa de encontrar soluções economicamente sustentáveis para interromper a migração.

Dom Casaldáliga relembra o início da "contra-corrente" que resultou de suas pioneiras denúncias contra a escravidão durante a ditadura militar dos anos 70. Hoje, outros grupos floresceram ao seu redor, lidando com novos desafios enquanto dão continuidade a luta contra o trabalho escravo.

Por último - um feito inédito - o documentário segue os passos de um trabalhador liberto de uma fazenda pela fiscalização federal. Antônio viaja de volta para sua cidade-natal depois de cinco anos rodando o Brasil em busca de emprego, e reencontra sua família emocionada pela surpresa. Entretanto, a felicidade da reunião é logo seguida pela frustrante falta de perspectivas enquanto ele planeja seu futuro no meio da paisagem devastada pela miséria - num retrato dos desafios que ainda restam para o combate ao trabalho escravo.

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