quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

E era apenas uma marolinha.........

E agora Lula,
a alguns meses atrás, com o início da Crise Financeira Mundial, nosso presidente soltou várias frases de efeito para tentar fazer o povo brasileiro engolir que a Crise, que até então assolava os EUA e começava a fazer as suas vítimas na Europa, principalmente na Inglaterra, não iria afetar o Brasil. Eu até tive a oportunidade de ouvir em um encontro de sindicalistas aqui em Belo Horizonte, o nosso Ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, dizer que o Brasil estava blindado contra a Crise Financeira Mundial.
Não acredito que o nosso nobre presidente e ministro sejam tão alienados e mal acessorados assim. Acredito que naquele momento eles realmente estavam fazendo o seu papel, ou seja, tentando transmitir calma para a população em um momento altamente conturbado. Mas esta semana, com a divulgação dos dados da CAGED, ficou evidente a gravidade da crise e que esta já afeta de forma preocupante o mercado de trabalho brasileiro.

Como podemos ver claramente no gráfico acima, Dezembro de 2008, teve mais que o dobro de postos de trabalhos fechados em comparação aos anos anteriores. Isto, segundo o estudo, representou 2.1% de retração do emprego formal em relação ao mês de Novembro. Outro fator preocupante nos dados da CAGED é a constatação que esta maior retração do emprego formal de Dezembro de 2008 em relação a Dezembro dos demais anos, ocorreu em todos os setores da economia brasileira, até mesmo no setor de serviços e no de indústria da transformação, que durante os últimos anos não vinham apresentando déficits no mês de Dezembro em relação à Novembro.

Durante toda esta semana, após a publicação destes dados, o que se viu foi um grande alvoroço: Ministério do Trabalho culpando empresários, empresários e sindicalistas culpando o governo e as altas taxas de juros e o governo culpando os bancos. Hoje o governo acenou com uma queda da taxa SELIC, que todos esperam seja seguida pelos bancos, como forma de abaixar os ânimos e tentar estimular a economia.

A verdade é que para se superar a Crise, e sua pior faceta, o aumento do desemprego, serão necessárias atitudes enérgicas para estimular o consumo por parte do governo. Só espero que desta vez a corda não estoure para o lado mais fraco, ou seja, o trabalhador. Vários meios de comunicações já gritam aos quatro ventos a favor da reforma trabalhista e da flexibilização dos contratos de trabalho, como se não soubessem que em vários países onde se tem esta flexibilização a crise é mais profunda do que aqui no Brasil. Esta é a hora dos sindicatos e trabalhadores ficarem unidos para que a Crise Financeira Mundial não sirva de desculpas para perdas de direitos e para uma maior flexibilização dos contratos de trabalho.

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